A História de Geisler Vanil

A vida que vale a pena ser vivida! 

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Desde criança sonhava muito. Comecei a ler cedo, e com as leituras eu viajava mundo afora. Ficava imaginando como seria estar em lugares completamente diferentes. A condição financeira não ajudava, então me restava a imaginação, e essa, me fazia estar em todos os lugares.

Confesso que pelas leituras e
com o reforço da minha imaginação, a França para mim sempre foi o paraíso. Quando adolescente esse gosto pelo mundo aumentou ainda mais, e quando sozinho eu ia em alguns
restaurantes, ficava fazendo um exercício de imaginação, e tentava imaginar no que as pessoas conversavam. Eu não conseguia entender, porque modificava na minha mente o português que falavam por outro idioma.

Tive como inspiração alguns escritores: Ubaldo Ribeiro, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Darcy Ribeiro, Sartre, Simone de Beauvoir, Rubem Braga, Gabriel Garcia Marquês, o grande Homero e William Shakespeare. Esses e alguns outros foram formando meu modo de pensar e ver o mundo.

Nascido em uma família de classe média baixa, sem muitos privilégios ou condições, não me restavam muitas escolhas a fazer, e influenciado pela minha mãe, logo tomei gosto pela leitura, desde então a janela do
mundo se abriu para mim.
Lembro-me bem que mergulhado nos livros de Geografia que tinham na minha casa, eu ficava à ver
aqueles mapas e imaginar como seria cada lugar daqueles. Uma coisa eu já tinha a certeza desde os meus oito anos de idade, que quando crescesse não viveria no Brasil. Não sei porque, mas desde essa idade até o inicio da minha juventude, nunca me senti atraído ou pertencente a cultura brasileira, apesar de ter um enorme respeito por ela.

O tempo passou, e a vida como sempre fez desde criança comigo, seguiu me dando as melhores
oportunidades. Com 20 anos de idade comecei a trabalhar no Instituto de Pesquisa Jardim Botânico do Rio de Janeiro, era um garoto do interior agora com a cara e coragem se aventurando a viver na capital. Foi uma loucura, me mudei sem nem ao menos saber onde iria dormir. E seguindo o embalo da Legião Urbana, perdi as contas de quantas casas já habitei no RJ. Passei longos quatro anos e meio “planejando” a minha saída do Brasil, praticamente todas as semanas chegava no trabalho dizendo para minha chefe que iria
embora, nem ela e nem os outros colegas nunca me levaram a sério.

Ao longo desse tempo, enquanto não ganhava a coragem suficiente para romper tudo, aproveitei para
estudar francês, e fazer negócios. Pensa numa pessoa que já tentou abrir inúmeros negócios, esse sou eu! O primeiro foi aos 13 anos, desde lá nunca parei, estou sempre a criar alguma coisa pra vender, de tantas paixões que tenho, essa é também uma delas; contar a história do produto que estou a vender. Nessa época que trabalhava no Jardim Botânico, ainda dava consultorias de agricultura orgânica e vendia queijos. A vida financeira, nesse momento, já estava para mim que vivia só, muito boa. Até que um dia eu acordei mal disposto e completamente sem vontade de estar no Brasil, e resolvi pedir demissão do Jardim Botânico, e para mim era o passo mais difícil que estava dando, pois depois de um tempo deixei de dar consultorias e por fim, já não queria saber de vender mais nada. Meu corpo estava no Brasil, mas minha cabeça já não. Então enfim, era chegado a grande hora. Como já durante muito tempo falava com amigos e parentes que um dia eu iria embora, quando de fato decidi partir, de algum modo foi um pouco confortante, pois já era previsto que isso aconteceria. Então, faltando 15 dias para viagem, fui a uma agência e comprei minha passagem, agora sim, tinha materializado o que sempre sonhei a minha vida toda.

Não era a primeira vez que saía do Brasil, eu sou apaixonado pelo Uruguai, amo esse país e seu povo, havia estado lá algumas vezes. O
destino Portugal foi meio que por acaso, onde o plano original da saída como devem prever, era a França, mas, como na ocasião tinha acabado de acontecer um atentado em Paris, fiquei com medo de seguir para França, apesar de que não viveria em Paris, o Sul me encanta mais. Provence propriamente dito.

Bom, como tudo que planejei na vida deu errado, foi só por isso que já fiz um monte de coisas. E o dia da partida chegou, Aeroporto Galeão, Rio de Janeiro, amigos que a vida me deu estavam lá para dar aquela força e aquele abraço. Dentre esses amigos tinham lá, duas ucranianas que eu havia conhecido em um Hostel na Zona Sul, e que de lá para cá, tornaram-se pessoas muito queridas por mim.

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O até breve chegou, já dentro do avião com o coração a saltar e com muita ansiedade. Lá estava indo eu, para meu primeiro destino: Madrid onde faria escala de noite para Lisboa.

22 de março de 2017,  eu cheguei em Terras Lusitanas. Começava ali a minha aventura mais louca da
vida. Reserva feita em um Hostel no centro da cidade, lá ia eu quase uma hora da manhã no metro. Tive ali meu primeiro choque de realidade, quando saí da estação a procura do endereço do Hostel, as ruas estavam
vazias, sem internet no celular e carregado do medo trazido do RJ, a cada passo que dava olhava para trás no receio de vir alguém para assaltar. Parece brincadeira, mas no geral estamos tão habituados que não  damos conta do quanto medo já nos injetaram.

Fiquei hospedado em dois Hostels antes de ir para o que conquistou o meu coração, Brickoven Palace
Hostel. Cheguei lá no inicio de abril, como hóspede e fiquei apenas dois dias, em seguida passei à
voluntário. A partir daí tudo aconteceu, em 2 meses já estava namorando uma menina que também era voluntária (da Espanha), tinha sido contratado para trabalhar no Bar desse Hostel (temos aqui a melhor
caipirinha), e no quarto mês já morávamos juntos numa casa. Dá-lhe aventura meu Deus! E como aventura é aventura, depois de oito meses resolvemos cada um seguir o seu caminho, gratos por tudo que vivemos.

Seguindo a sina do Rio de Janeiro, já vivi em diversas casas aqui em Lisboa, e a que vivo agora, a minha janela vale ouro!
(se tiver outra oportunidade conto mais sobre essa história).

Bem meus amigos, esse mês faz um ano que já estou em Portugal, feliz por ter tomado a decisão da
mudança. Resolvi a pouco tempo permanecer em Lisboa tendo dito uma oportunidade boa de me mudar. Sigo trabalhando no mesmo Hostel, aprimorei meu francês, meu espanhol, ao longo tempo que aqui estou. Aprendi e tenho aprendido falar italiano, Inglês e agora comecei a estudar alemão. Continuo a fazer negócios, e muitos planos. Mas como tudo que planejei na vida deu errado, sigo com a certeza de que tudo dará certo, à quem a vida nunca negou nada e que jamais negou a vida.

Um grande abraço em todos, e como dizia Vinicius de Moraes: “…. Feito essa gente que anda por aí
brincando com a vida
Cuidado, companheiro! A vida é pra valer, e não se engane não, tem uma só…”

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Então vá viver seus sonhos, arrisque!!!

 

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