História da Rosemeire Rodrigues

Amigos,

Para falar do meu amor pelo meu avô devo voltar no tempo, no ano de 1960, quando eu tinha 3 para 4 anos de idade. Minha lembrança de infância era de vovô me aguardando nas visitas do Hospital Português, onde ele se encontrava.

Eu não gostava de hospital, mas lembrando dos bombons que ele guardava para mim, no bolso do seu casaco de frio azul-marinho, fazia com que eu pedisse a papai que me levasse com ele. Na minha cabeça aquele momento era “único”, ele me enchia as mãos de balas e eu ficava ali me deliciando com a doçura do seu amor e do meu amor por ele, deixando um gosto doce no ar…

Não lembro em que momento, perguntei pelo meu avô a papai. Penso que meu pai conduzido pela saudade resolveu contar a sua história. Meu avô foi de origem humilde e a família colhia uvas próximo ao Rio Douro. Quando vovô se tornou rapazinho resolveu ir morar no Brasil. Veio pelas mãos do casal, padrinhos dele em Portugal. O navio que embarcaram, fez uma parada no porto do Rio de Janeiro e seguiu viagem, parando depois no porto do Recife, onde eles desembarcaram.

Penso que sentiram, como eu senti, ao chegar em Portugal, dúvidas, receios, ansiedade, uma mistura de sentimentos, de um novo mundo a se descortinar à sua frente. Papai falou que ele deixou em Portugal pai, mãe e o irmão mais velho, que depois, veio a falecer de um infarto, deixando filhos.

É tudo que sabemos da família daqui. Pensei na mãe sentindo falta do filho, como a minha mãe sente falta de mim. Do irmão que ficou sem a companhia do caçula. Como os meus irmãos sentem a minha falta.

Em época de aniversários, dia das mães, dos pais… é quando eu mais sinto que estou sozinha, sem a família… doe tanto que chega a ser um grande pesar, principalmente por não me ver nas fotos de comemoração da família. Eu sei que a história de vovô ficou guardada em minhas lembranças, no imaginário infantil.

Ele faleceu sem realizar o sonho de rever a família e esse pesar se soma ao pesar da mãe de não ter visto mais o filho caçula em vida. Esse pensamento me fez guardar, a dor de mãe, no coração. Depois de 100 anos do seu nascimento, eu como neta resolvi fazer sua viagem de retorno (simbolicamente).

É impressionante a força que as coisas têm quando precisam acontecer… e onde quer que vovô esteja na espiritualidade, está comigo, guiando meus passos e ajudando na realização do meu sonho.

Agora, morando em terras lusitanas, terras do meu avô, volto minha atenção para o momento presente, o desdobramento da morada, em três ações que alcançam toda família, minha promessa feita a papai e ela é meu tributo de amor ao meu avô, pais e irmãos que acreditaram e me ajudaram no sonho, apesar da saudade que temos uns dos outros.

A promessa:

1. Atualizar, no assento de nascimento do meu avô, a transcrição e
averbar casamento e óbito do Brasil, finalizando assim seu ciclo de vida conosco que o
amamos;
2. Obter a nacionalidade portuguesa do meu pai, em vida, e que tem 87 anos
de idade e bem vividos, graças à Deus;
3. Localizar a nossa família em Portugal e, como estamos documentados, creio não será difícil.

Meu avô é de nome Arsenio Vilela Rodrigues, nascido em 04/11/1895, filho de Fernando José Vilela Rodrigues e Emília Vilela Rodrigues, no distrito de Vila Real, no Concelho de Vila Pouco de Aguiar e na freguesia de Telões. Sei agora que minha vida ia se preparando para meu sonho e minha promessa. Sem que eu percebesse nos fatos tais como:
meu primeiro emprego foi com os alemães; minha quase prima casa e vai morar na Alemanha; eu formada me dei de presente minha ida para esse país, Alemanha.Como minha experiência, fora do Brasil, foi boa, passei a repetir as minhas idas e vindas a Alemanha. Ora na casa de Airles, ora na casa de Camurça, um grande e valioso amigo, brasileiro e naturalizado alemão.
Tudo que sei de câmbio, moedas, redes de hotéis vem das viagens que continuei realizando. Portugal chega nesse momento. Como é longa a viagem do Brasil à Alemanha, resolvi ficar parando em Portugal e só depois seguia para a Alemanha. Assim fui conhecendo Lisboa e me encantando pela cidade. Conseguia chegar próximas afetivamente das pessoas devido a língua e costumes semelhantes. Ao contrário de outros países pela dificuldade da língua. E, em algum momento do ir e vir, veio a vontade de morar em Portugal. Em abril de 2016, na Páscoa, minha cunhada Walquiria chega para mim e diz que Portugal abriu a fronteira para aposentados que quisessem morar no país. Aí meu sonho, guardado comigo, veio na intensidade de uma explosão, porque eu já estava aposentada e quase como que esperando o momento.

É como se tudo tivesse acontecido antes para isso. É como sua vida, de repente, fizesse sentido. É reconhecer estar no lugar certo, na hora certa, porque tudo tem o seu tempo de acontecer.

Comecei a planejar a viagem em 2016 – 2017, em um ano, e a consequente mudança para Portugal. Minha família acompanhou meus passos, foram parceiros das minhas conquistas até então.

Quando tudo dá certo é porque estamos trilhando nosso caminho através do Dharma (lenda pessoal, Paulo Coelho). A confirmação disso é o universo conspirando com você, estar em sintonia… e as coisas vão acontecendo.

Gratidão

Ivete, talvez você não tenha ideia do tanto que me ajudou nas conquistas das documentações necessárias ao final do meu processo. Não era só nos arquivos, mas nas orientações em diferentes situações que apareciam, afinal tudo é novo, tudo é desconhecido.

Costumo falar, de forma figurativa, que eu garimpo na internet, mas ouro, ouro mesmo, só fui achar quando encontrei vocês “Vivendo Portugal Dicas”. E, como forma de gratidão, publico minhas conquistas.

Exemplo de uma dica, entre outras, foi à orientação: “que eu não ficasse presa as imobiliárias, que eu devia, através de cartazes, conhecimentos na cidade me comunicar diretamente com os proprietários de imóveis” e foi assim que encontrei enfim, o meu apartamento!

Rosemeire Rodrigues

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s