Migração por Afinidade

Vejo aqui muitos que pensam em migrar procurando oportunidades ou fugindo dos problemas do Brasil. Muitos não conhecem minimamente o local de destino, sua cultura ou o temperamento de seu povo. Me pergunto se há alguém aqui que já pensou em migrar por afinidade com outro país.

Por Filipe Dos Santos Levy Rosa

 (Membro do Grupo Vivendo Portugal)

Foto: em Saint-Pierre de Chartreuse, França

Eu mesmo me concentrei na migração depois do nascimento da minha filha pois a violência brasileira ganhou outro sentido para mim, mas a ideia da migração é bem mais antiga e tinha apenas um motivo: não me identifico com o Brasil. Pouco da cultura brasileira me agrada. Não falo das manifestações artísticas, mas dos modos de viver que temos cá. O otimismo, a intimidade instantânea, o apego aos familiares, a impontualidade, o “jeitinho”, a informalidade das relações, o regime de castas implícito em todas as estruturas sociais, tudo isso sempre me incomodou.
Eu, com minha melancolia, formalidade, rigidez de horários e isolamento, por muito tempo acreditei ser apenas uma exceção, fadado a se incomodar com o mundano ao longo da vida. Mas há alguns anos pude experimentar a França ao visitar uma tia que vive lá e conheci outras formas de viver, muito mais próximas do meu temperamento, e pela primeira vez vislumbrei um cotidiano mais agradável e leve. Tomei para mim que a França era meu lugar e passei a planejar, no longo prazo, me mudar definitivamente para lá.

Como disse, o nascimento da minha filha tornou tudo mais urgente, mas a França ainda era um objetivo distante, principalmente pelo idioma. Ao mesmo tempo, a instabilidade política brasileira e a falta de ética da mídia nacional me empurraram a acompanhar as notícias por jornais portugueses, que dão bastante enfoque no Brasil, mas de forma mais neutra. Coincidentemente, na mesma época, passei a trabalhar em um bairro com muitos imigrantes portugueses, e com isso comecei a descobrir esse país fascinante e percebi que não é só a França que partilha das minhas peculiaridades, mas Portugal também. O gosto pelo que é triste, a reserva das pessoas, o “mal humor” são muito próximos de mim.

Portanto, Portugal é meu novo futuro destino. Não por falta de oportunidade (pois sempre criei as minhas) mas por afinidade ao modo de viver português.
Poderia, sem dúvidas, me candidatar à imigração canadense ou tentar a sorte no Reino Unido, mas já tive contato com o primeiro através de conhecidos e pela avalanche de produtos que chegam aqui, e com o segundo pessoalmente, ainda que por pouco tempo, e esses lugares não são para mim.

Acordar e se sentir a vontade de estar onde se está é uma sensação que não pode ser comprada. E é essa sensação que busco ao ir para Portugal.

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2 comentários em “Migração por Afinidade

  1. Foi por essas mesmas razões, coincidentemente, que vim morar para Portugal. Conheço alguns países da Europa – França, Suíça, Inglaterra, Holanda, Bélgica e Itália – por onde estive em diversas vezes a partir da década de 1970. A França ocupa o segundo lugar de minha preferência, a Itália, o último.

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