História da Ivete (começar com a minha, né?)

Contar nossa própria história pode ser um grito, um desabafo, um alívio. Tendo conhecimento de outras histórias, poderíamos de fato experimentar a similaridade entre nossa história e a dos outros, e enfim, sentir mais confiança de que não estamos sozinhos nessa jornada!

Nasci em Porto Velho-RO e já fazem alguns bocadinhos de anos. Desde pequena iniciei as viagens. Meus pais foram morar em Santos à fim de tratar da saúde do velho Quintela, meu pai. Depois voltamos para Porto Velho após alguns anos. Tempos depois, já sem meu pai, retornei para estudar no interior de São Paulo, na linda cidade serrada de Botucatu. E em umas férias na minha terra natal, me apaixonei e fiquei…vamos abrir uma grande lacuna nessa parte…hehe deixa para o próximo episódio. Bom, só sei que mudei só com meus dois filhos e uma mala para João Pessoa,  cá estou, e já fazem de 16 anos.

Nesse momento eu estou insatisfeita e envergonhada com o lamaçal de corrupção, com os impostos abusivos, chateada com tanta violência em todas as esferas (pior de tudo), fiquei desempregada e quero muito empreender, mas o cenário está duvidoso no meu segmento. Bem verdade é que amo meu Brasil, mesmo com mazelas, também amo minha terra natal, mesmo sendo tão abandonada pelos gestores, e enfim, amo minha terra adotiva, a espetacular João Pessoa. Como esse planejamento de morar em Portugal é antigo, mesmo com tantos motivos para mudar de país, nenhuma desculpa para deixá-lo seria muito apropriada. A maior razão mesmo é porque sou irrequieta, aventureira, desprendida, “enxerida”, sou curiosa em conhecer outras culturas. Sou movida a desafios, sonhadora e como me chamam gentilmente alguns  parentes, doida…hehe  mas somente os que não conhecem o quanto eu planejo antes de qualquer ação. E não estou sozinha nessa jornada, nessa segunda viagem de mudança definitiva (detesto essa palavra) para Portugal, levarei também minha louca família (filha, mãe Margô 72 aninhos, irmão e os dogs).

Se o “mar calmo nunca fez bom marinheiro”, então porque raios eu tenho que tomar Passiflora? Bem vinda, Adrenalina!

O desafio de imigrar é enorme devido a visão de mundo diferente da nossa própria cultura. Imagina a gente trabalhando, negociando, estudando, falando nossa opinião sobre política, comida, diversão, educação, costumes com pessoas que não compartilham da sua visão, concepção… Ao chegar, normalmente eu falava comigo (quase brigando): se acostume e aceite, se sou imigrante, para o povo anfitrião sou a esquisita, a estrangeira, quase uma“marciana”!

Isso não é fantástico? Essa poderia vir a ser a melhor oportunidade da minha vida para abrir mais a cabeça para novos paradigmas e aprendizados! E foi de fato!

E ao chegar em Cascais, lugar que morava minha querida prima Michelle juntamente com os filhos dela,  fui conhecendo e me adaptando. Logo me mudei para Lisboa devido eu ter percebido maiores oportunidades de trabalho. E aos poucos fui pesquisando sobre as possibilidades e verificando onde e como atuaria. O importante na adaptação em fase inicial foi o envolvimento com os costumes e com os eventos locais. Foi assim que eu fiz quando morei pela primeira vez em Portugal. Foi uma morada curta, pouco mais de um ano. Enfim, fui para conhecer e elaborar um plano de mudança definitiva futura para minha família que estava no Brasil.

Em lisboa consegui através dos Classificados do Jornal uma oportunidade trabalho vendendo planos combo de TV, net e fone, assim conheci toda Lisboa e Grande Lisboa (Conselho e Distrito). Surgiu oportunidade de conhecer rapidamente Porto, Coimbra, Leiria, Elvas, Évora… A empresa que havia me prometido Contrato de Trabalho me ludibriou, assim como acontece com muitos imigrantes que não aplicam o Visto adequado. Fiquei com vontade de voltar pois eu não queria ficar ilegal de maneira alguma e estava perto de vencer a prorrogação da minha condição de Turista (Turista pode ficar três meses e prorrogar por mais três meses, seis meses no total).

Uma amiga brasileira, casada com um Português muito gentil, que moravam em Viseu, no norte, me convidaram para passar uns dias com eles, pois sabiam que meus filhos estavam no Brasil e com a aproximação do Natal não queriam me ver passar esse momento sozinha. Gentileza que jamais esquecerei e ficarei eternamente grata. E assim conheci arredores, como Nelas, Serra da Estrela, etc.,  e por último fui morar em Águeda (Aveiro), à fim de realizar um trabalho inovador também na área de Vendas de Serviços em um projeto piloto com as Freguesias de Águeda. Eu entraria com a ideia e o senhor que era funcionário da Junta de Freguesia de Viseu entraria com a estrutura, e assim foi feita a parceria informal, pois para eu me legalizar deveria ter um Contrato de Trabalho à fim de obter o NISS.

Foi através desse emprego, que de fato era uma parceria, que consegui o tão sonhado contrato de trabalho. Com o contrato consegui o registro na Segurança Social o famoso NISS e o Cartão de Utente (Saúde), mas já tinha o NIF, conta bancária, comprovativo de morada etc. Enfim, tinha todos os requisitos para solicitar a minha Residência. Mas eu não poderia ficar ainda em Portugal por causa das pendências deixadas no Brasil, principalmente os filhos, e se eu aplicasse a Residência deveria ficar no país até sair o documento pelo SEF, o que não tinha data certa para recebê-lo. Tinha no Brasil alguns trecos para vender, aguardar a formação de um dos filhos e por isso não apliquei a Residência. Antes de imigrar em definitivo, devemos deixar tudo bem resolvido no nosso próprio país, por isso voltei para o Brasil. Em breve retornarei com a família e os dogs.

Lição aprendida: não adianta nada você ser Doutor, PHD nisso ou naquilo (não é meu caso), ser Executiva, meu caso, que a gente vai ter que fatalmente recomeçar quase do zero. Mesmo que faça valer seu diploma com a equivalência, a cultura local e rede de contatos são os maiores desafios a serem encontrados na recolocação profissional. Lado positivo que achei: sim tem empregos em todos os segmentos mas para quem está legal por lá, quem ainda está no processo de legalizar restam empregos menos qualificados mas não menos importantes como em todas as áreas do Setor Turismo, restaurantes, construção civil, cuidador de idosos, profissional de limpezas, manicures, entregadores, etc e se você for ousado, dá para trabalhar também com vendas, mas o melhor de tudo, legalizados podemos empreender! Vale muito à pena o sacrifício de imigrar legalmente.

Agora estou em fase de planejamento para retornar para Portugal e felizmente com a família, não toda, ficará o meu filho amado em Brasília por algum tempo, devido ao trabalho dele (Ele é Design e trabalho desenhando equipamentos cirúrgicos), mas assim que conseguir uma empresa em Portugal que o receba, ele irá também. Minha filha irá trancar as duas faculdades e vai continuar um dos cursos em Lisboa, provavelmente. Feliz que a filhinha vai comigo, oba! Além disso, minha mãe e dois Poodles, amores!

Em Lisboa, no verão, senti um calor de derreter a muleira e no inverno, senti um frio de rachar lá na Serra da Estrela. Percebi as mudanças de todas as estações maravilhosas, como o Outono deixando as ruas e estradas enfeitadas com o marrom das folhas secas e a beleza e a alegria, cores e cheiros da primavera. Nunca tomei tanto café na vida, tem em cada esquina um Café, competindo com as lojas dos “Chinocas”, assim como jamais degustei tantos vinhos maravilhosos, e outros que mesmo famosos não deu para encarar, como o Verde, experimentei o famoso Leitão á Bairrada de Águeda, o divino Bacalhau com Natas, os Pastéis de Belém, os hum….Travesseiros de Sintra…vixe, vou parar que engordei um pouco mais só em pensar. Conheci o Carnaval de rua de Águeda, coisa linda a rua enfeitada com guarda chuvas coloridas, lojinhas de antiguidades em Lisboa, conheci como é o sistema de saúde, eficiente e pago, mas com valor simbólico, andei de metros, autocarros, bondinhos, comi feijão enlatado com chouriço. Ouvi bastante Fado e aprendi a gostar, conheci o belo Cassino Estoril, vi como é a sensual dança Kizomba, visitei castelos surreais como o estonteante Castelo da Pena, em Sintra, jardins paradisíacos, rios gelados e lindos como o Douro no Porto, Tejo em Lisboa, riachos nos vilarejos, vi florestas que parecem saídas de um filme do Robin Hood, andei nas ruas a qualquer hora sem medo de ser assaltada.

Senti também alguns olhares de estranheza de alguns portugueses, e que alguns brasileiros chamam esse olhar de preconceituoso, mas discordo, são olhares de talvez surpresa com nosso jeito que é mais irreverente e despojado que o deles. Lembre-se, somos os “estranhos”! Os portugueses são mais tradicionais e conservadores que a gente, e aos poucos a gente vai entendendo e respeitando essas diferenças e no fim vamos nos adaptando. Sempre fui respeitada e conquistei grandes amizades por lá.

Depois que compreendi as diferenças entre os dois países, voltei e cá estou no Brasil para dar seguimento à segunda parte do não meu, mas do nosso projeto familiar de mudança. Agora estou estudando os Vistos para cada um dos membros da família, pois uma coisa eu percebi, para mim pelo menos, não vale à pena ficar ilegal em nenhum lugar e não me arrisco mesmo. Já faz algum tempo que planejo e espero para imigrar. Ainda vai demorar mais algum tempinho, pois só iremos legalizados e sem atropelos. Sou até louca, mas não sou imediatista!

Criei um Grupo no Facebook Vivendo Portugal https://www.facebook.com/groups/vivendoportugal/ para compilar e compartilhar artigos pertinentes sobre imigrar e viver em Portugal, e aos poucos vou compartilhar aqui no Blog algumas histórias desses amigos do Grupo e experiências vividas por eles para juntos imigrarmos com mais conhecimento e menos perrengues mas não se iluda, sempre vai ter um pouco de surpresas no caminho.

Se você é brasileiro e imigrante ou tem alguma relação com Portugal, nos conte também a sua história, eu ficaria honrada em publicá-la nesse espaço!

Contatos para parcerias, Representação Comercial: iveteq@gmail.com

Endereço do Grupo de apoio e em seguida, da página do “Vivendo Portugal” para troca de informações:

Grupo: https://www.facebook.com/groups/vivendoportugal/

Página: https://www.facebook.com/vivendoportugal/

Grupo Linkedin: https://www.linkedin.com/groups/Vivendo-Portugal-Business-12027354/about

Ivete Quintela

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9 comentários em “História da Ivete (começar com a minha, né?)

  1. Adorei a sua história e a sua sede de desbravar outras culturas e, principalmente, a cultura lusitana, Ivete! Também gostei muito do “Sou até louca, mas não sou imediatista”! Haha! Isso mesmo! Tenho certeza que a segunda parte da sua trajetória em Portugal terá belas e diferentes surpresas! E sem dúvida, você saberá recebê-las com o coração bem mais grato e com um olhar mais amadurecido! Deixo aqui uma citação do filósofo grego Heráclito: “Não se toma banho duas vezes no mesmo rio, porque nem você é mais o mesmo, nem o rio”. Portanto, um brinde às mudanças e às surpresas da vida!!! Abraços luso-brasileiros! 😉

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