História da Ivete (começar com a minha, né?)

Contar nossa própria história pode ser um grito, um desabafo, um alívio. Tendo conhecimento de outras histórias, poderíamos de fato experimentar a similaridade entre nossa história e a dos outros, e enfim, sentir mais confiança de que não estamos sozinhos nessa jornada!

Nasci em Porto Velho-RO e já fazem alguns bocadinhos de anos. Desde pequena eu viajava, e ate hoje é algo me deixa realmente feliz. Meus pais foram morar em Santos à fim de tratar da saúde do velho Quintela, meu pai. Depois de alguns anos, retornamos para Porto Velho

Tempos depois, já sem meu pai, na adolescência ainda, retornei para estudar no interior de São Paulo, na linda cidade serrana de Botucatu. E em uma das minhas férias na minha terra natal, me apaixonei pelo pai dos meus dois filhos, cúmplices e companheiros de vida. Fique a viver em Porto Velho, trabalhei por longos 13 anos em um banco estadual, o Beron e me dediquei filhos e à um casamento que me tirou a Poesia da minha vida.  Vamos abrir uma grande lacuna nessa parte… deixa para o próximo episódio.

Bom, só sei que após eu conseguir separar-me,  mudei com meus dois filhos e uma mala para João Pessoa. Uma viagem de carro com as crianças, na época com 10 e 13 anos. Essa viagem de 5.000 km pela Transamazônica foi muito estressante, estávamos saindo em fuga, muito stress e por causa disso, meu filho teve uma crise de Asma no meio do caminho, mas sobrevivemos todos. Serviu de “divisor de era”, aprendizado.  Isso aconteceu no meio do ano de 2.000.

Estou insatisfeita e envergonhada com o lamaçal de corrupção, com os impostos abusivos, chateada com tanta violência em todas as esferas (pior de tudo). Estava tendo uma carreira em ascenção como Executiva de marcas nacionais, mas veio a crise e fatalmente fiquei desempregada. Resolvi que iria me preparar para empreender, mas o cenário está duvidoso. Bem verdade é que amo meu Brasil, mesmo com mazelas, também amo minha terra natal Rondônia, mesmo sendo tão abandonada pelos gestores, e enfim, amo minha terra adotiva, a espetacular João Pessoa, mas eu iria focar no meu sonho antigo de retornar para Portugal para Empreender e viver, pois minha maior preocupação é a segurança da minha família, bem maior e em Portugal nunca tive ilusoes de “ganhar muito dinheiro”, mas eu sempre tive a certeza que o país proporciona segurança e boa qualidade de vida, consequentemente.

Como esse planejamento de morar em Portugal é antigo, antes de qualquer crise no Brasil, mesmo com tantos motivos para mudar de país, nenhuma desculpa para deixar o meu Brasil seria tão apropriada quanto à simples vontade de mudar e talvez ajudar outros à mudar de vida também.

Sou assumidamente desprendida, “enxerida”, sou curiosa em conhecer outras culturas. Sou movida à desafios, sonhadora e por causa disso, alguns que me conhecem superficialmente me chamam gentilmente de doida…hehe  mas  não me conhecem realmente, pois sou estrategista, não sabem o quanto eu planejo antes de qualquer ação. E não estou sozinha nessa jornada, nessa segunda viagem de mudança definitiva (detesto essa palavra) para Portugal, levarei também minha louca família (filha, mãe Margô 72 aninhos e os dogs, Pipoca e Pingo) e em breve, chegará também meu filho.

Se o “mar calmo nunca fez bom marinheiro”, então porque raios eu tenho que tomar Passiflora? Bem vinda, Adrenalina!

O desafio de imigrar é enorme devido a visão de mundo diferente da nossa própria cultura. Imagina a gente trabalhando, negociando, estudando, falando nossa opinião sobre política, comida, diversão, educação, costumes com pessoas que não conhecem, ou não tem interesse sobre a sua própria visão, concepção… Na verdade, temos que primeiri conhecer sobre os anfitriões antes de nós fazermos ser conhecidos. Ao chegar em Portugal pela primeira vez, normalmenteeu falava comigo (quase brigando): se acostume e aceite, se sou imigrante, para o povo anfitrião sou a esquisita, a estrangeira, quase uma“marciana”! À isso chamo de adaptação.

Isso não é fantástico? Essa poderia vir a ser a melhor oportunidade da minha vida para abrir mais a cabeça para novos paradigmas e aprendizados! E foi de fato!

Na primeira vez que vim à Portugal em 2006,  fiquei uns dias hospedada na casa da minha prima no Estoril. Logo  mudei para Lisboa devido eu ter percebido maiores oportunidades de trabalho. E aos poucos fui pesquisando sobre as possibilidades e verificando onde e como atuaria. O importante na adaptação em fase inicial foi o envolvimento com os costumes e com os eventos locais. Foi uma morada curta, pouco mais de um ano. Enfim, fui para conhecer e elaborar um plano de mudança definitiva futura para minha família que estava no Brasil.

Em lisboa consegui através dos Classificados do Jornal uma oportunidade trabalho vendendo planos combo de TV, net e fone, assim conheci toda Lisboa e Grande Lisboa (Conselho e Distrito). Surgiu oportunidade de conhecer rapidamente Porto, Coimbra, Leiria, Elvas, Évora… A empresa que havia me prometido Contrato de Trabalho me ludibriou, assim como acontece com muitos imigrantes que não aplicam o Visto adequado. Fiquei com vontade de voltar pois eu não queria ficar ilegal de maneira alguma e estava perto de vencer a prorrogação da minha condição de Turista (Turista pode ficar três meses e prorrogar por mais três meses,  183 dias no total).

Uma amiga brasileira, casada com um Português muito gentil, que moravam em Viseu, me convidaram para passar uns dias com eles, pois sabiam que meus filhos estavam no Brasil e com a aproximação do Natal não queriam me ver passar esse momento sozinha. Gentileza que jamais esquecerei e ficarei eternamente grata. E assim conheci arredores, como Nelas, Serra da Estrela, etc.,  e por último fui morar em Águeda (Aveiro), à fim de realizar um trabalho inovador também na área de Vendas de Serviços em um projeto piloto com as Freguesias de Águeda. Eu entraria com a ideia e o senhor que era funcionário da Junta de Freguesia de Viseu entraria com a estrutura, e assim foi feita a parceria informal, pois para eu me legalizar deveria ter um Contrato de Trabalho à fim de obter o NISS.

Foi através desse emprego, que de fato era uma parceria, que consegui o tão sonhado Contrato de Trabalho. Com o contrato consegui o registro na Segurança Social o famoso NISS e o Cartão de Utente (Saúde), mas já tinha o NIF, conta bancária, comprovativo de morada etc. Enfim, tinha todos os requisitos para solicitar a minha Autorização de Residência. Mas eu não poderia ficar ainda em Portugal por causa das pendências deixadas no Brasil, principalmente os filhos, e se eu aplicasse a Residência deveria ficar no país até sair o documento pelo SEF, o que não tinha data certa para recebê-lo. Tinha no Brasil alguns trecos para vender, aguardar a formação de um dos filhos e por isso não apliquei a Residência. Voltei para o brasil.

Uma dica: antes de imigrar em definitivo, devemos deixar tudo bem resolvido no nosso próprio país!

Lição aprendida: não adianta nada você ser Doutor, PHD nisso ou naquilo (não é meu caso), ser Executiva, meu caso, que a gente vai ter que fatalmente recomeçar quase do zero. Mesmo que faça valer seu diploma com a equivalência, etc, a cultura local e rede de contatos são os maiores desafios a serem encontrados na recolocação profissional.

Lado positivo que achei: sim tem empregos em todos os segmentos mas para quem está legal, quem ainda está no processo de legalizar restam empregos menos qualificados mas não menos importantes como em todas as áreas do Setor Turismo, restaurantes, construção civil, cuidador de idosos, profissional de limpezas, manicures, entregadores, etc e se você for ousado, dá para trabalhar também com Vendas, mas o melhor de tudo, legalizados poderemos atuar no mercado competindo em situação de igualdade, inclusive empreender! Vale muito à pena o sacrifício de imigrar com o Visto adequado. Não foi o meu caso, naquela época, por isso eu me comprometo tanto em orientar aos novos imigrandos sobre as possibilidades dos vários tipos de Vistos.

Agora estou em fase de planejamento para retornar para Portugal e felizmente com a família, não toda, ficará o meu filho amado em Brasília por algum tempo, devido ao trabalho dele (Ele é Design e trabalho desenhando equipamentos neurocirúrgicos), mas assim que conseguir uma empresa em Portugal que o receba, ele irá também. Minha filha irá trancar as duas faculdades e vai continuar um dos cursos em Lisboa, provavelmente. Feliz que a filhinha vai comigo, oba! Além disso, minha mãe e dois Poodles, amores!

Sobre o clima!

Em Lisboa, no Verão, senti um calor de derreter a muleira e no Inverno, senti um frio de rachar lá na Serra da Estrela. Percebi as mudanças de todas as estações maravilhosas, como o Outono deixando as ruas e estradas enfeitadas com o marrom das folhas secas… Percebi também a beleza e a alegria, cores e cheiros da Primavera – Melhor estação.

Nunca tomei tanto café na vida, tem em um cada esquina competindo com as lojas dos “Chinocas”, assim como jamais degustei tantos vinhos maravilhosos, e outros que mesmo famosos não deu para encarar, como o Verde, experimentei o famoso Leitão á Bairrada de Águeda, o divino Bacalhau com Natas, os Pastéis de Belém, os hum….Travesseiros de Sintra…vixe, vou parar que engordei um pouco mais só em pensar. Conheci o Carnaval de rua de Águeda, coisa linda a rua enfeitada com guarda chuvas coloridas, lojinhas de antiguidades em Lisboa, conheci como é o sistema de saúde, eficiente e pago, mas com valor simbólico, andei de metros, autocarros, bondinhos, comi feijão enlatado com chouriço. Ouvi bastante Fado e aprendi a gostar, conheci o belo Cassino Estoril, vi como é a sensual dança Kizomba, visitei castelos surreais como o estonteante Castelo da Pena, em Sintra, jardins paradisíacos, rios gelados e lindos como o Douro no Porto, Tejo em Lisboa, riachos nos vilarejos, vi florestas que parecem saídas de um filme do Robin Hood, andei nas ruas a qualquer hora sem medo de ser assaltada.

Senti também alguns olhares de estranheza de alguns portugueses, e que alguns brasileiros chamam esse olhar de preconceituoso, mas discordo, são olhares de talvez surpresa com nosso jeito que é mais irreverente e despojado que o deles. Lembre-se, somos os “estranhos”! Os portugueses são mais tradicionais e conservadores que a gente, e aos poucos a gente vai entendendo e respeitando essas diferenças e no fim vamos nos adaptando. Sempre fui respeitada e conquistei grandes amizades lusitanas. Essa foi a parte boa de compreender as diferenças entre os dois países.

Criei um grupo no Facebook, o @vpdicas  https://www.facebook.com/groups/vivendoportugal/ para compilar e compartilhar artigos pertinentes sobre imigrar e viver em Portugal, e aos poucos vamos postando aqui no Blog algumas histórias desses amigos do Grupo e experiências vividas por eles para juntos imigrarmos com mais conhecimento e menos perrengues, mas não se iluda, sempre vai ter um pouco de surpresas no caminho.

Depois eu conto a “segunda parte” como foi o retorno para Portugal e como esta o andamento dessa mudança.

Se você é brasileiro e imigrante ou tem alguma relação com Portugal, nos conte também a sua história, eu ficaria honrada em publicá-la nesse espaço!

Contatos para parcerias:

contato@vpdicas.com

Endereço do Grupo de apoio e em seguida, da página do “Vivendo Portugal” para troca de informações:

Grupo: https://www.facebook.com/groups/vivendoportugal/

Página: https://www.facebook.com/vivendoportugal/

Grupo Linkedin: https://www.linkedin.com/groups/Vivendo-Portugal-Business-12027354/about

Site: http://www.vpdicas.com

Ivete Quintela

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9 comentários em “História da Ivete (começar com a minha, né?)

  1. Adorei a sua história e a sua sede de desbravar outras culturas e, principalmente, a cultura lusitana, Ivete! Também gostei muito do “Sou até louca, mas não sou imediatista”! Haha! Isso mesmo! Tenho certeza que a segunda parte da sua trajetória em Portugal terá belas e diferentes surpresas! E sem dúvida, você saberá recebê-las com o coração bem mais grato e com um olhar mais amadurecido! Deixo aqui uma citação do filósofo grego Heráclito: “Não se toma banho duas vezes no mesmo rio, porque nem você é mais o mesmo, nem o rio”. Portanto, um brinde às mudanças e às surpresas da vida!!! Abraços luso-brasileiros! 😉

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